CAPACIDADE RESPIRATÓRIA NA CIRURGIA TORÁCICA

Jaquelline da Silva Garcia, Nicolle de Oliveira Lobão Viga, Luiz Carlos de Abreu, Rodrigo Daminello Raimundo, Natália da Silva Freitas Marques

Resumo


Introdução: Patologias cardiovasculares possuem um alto índice de acometimento em países desenvolvidos, necessitando de intervenção cirúrgica, que é um procedimento de alto risco dotado de complicações que elevam a mortalidade. Objetivo: Analisar e descrever a Capacidade Respiratória na Cirurgia Torácica. Método: Para atender ao objetivo estabelecido, foi realizada uma revisão de literatura através do levantamento das produções científicas referentes ao cruzamento dos descritores “Thoracic Surgery” and “Spirometry”, no título ou resumo. Os artigos selecionados estão indexados na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Após o levantamento do cruzamento na base de dados, obtiveram-se 204 artigos, entretanto apenas 14 artigos atenderam aos objetivos. Resultados: Dos 14 artigos incluídos no estudo, observou-se a presença de complicações pulmonares no pós-operatório de cirurgias torácicas, incluindo redução do pico de fluxo expiratório, da capacidade vital forçada, do volume expiratório forçado do primeiro segundo e da força muscular respiratória, levando a um aumento do tempo de internação. Encontraram-se ainda fatores associados à presença destas complicações, abrangendo hábito tabágico, idade avançada, presença de broncoespasmo, índice de massa corpórea reduzido, tempo de cirurgia prolongado e presença de doença pulmonar obstrutiva crônica. Diante de todas as complicações e fatores de risco, os artigos retratam a importância da fisioterapia na redução das complicações respiratórias e ainda na recuperação da função pulmonar em pacientes pós-cirurgias torácicas. Conclusão: Conclui-se que as cirurgias torácicas levam a complicações pulmonares (redução do pico de fluxo expiratório, da capacidade vital forçada, do volume expiratório forçado do primeiro segundo e da força muscular respiratória), levando a um aumento do tempo de internação. Tais complicações estão relacionadas a hábito tabágico, idade avançada, presença de broncoespasmo, índice de massa corpórea reduzido, tempo de cirurgia prolongado e presença de doença pulmonar obstrutiva crônica. As complicações pulmonares podem ser prevenidas e recuperadas através da assistência fisioterapêutica incluindo as técnicas de oxigenioterapia de alto fluxo e fisioterapia respiratória, melhorando os volumes e capacidades pulmonares comprometidos, além de poder atuar na identificação e prevenção com o uso de testes especiais no pré-operatório, como, por exemplo, o teste de escada.

 

Palavras-chave: Cirurgia torácica. Espirometria. Fisioterapia.


Texto completo:

PDF

Referências


GELAPE, C. L. et al. Preoperative plasma levels of soluble tumor necrosis factor receptor type I (sTNF-RI) predicts adverse events in cardiac surgery. Cytokine. v. 38, n. 2, p. 90-5, 2007.

PASQUINA, P.; TRAMÈR, M. R.; WALDER, B. Prophylactic respiratory physiotherapy after cardiac surgery: systematic review. BMJ. v. 327, n. 7428, p. 1379, 2003.

BRASHER, P. A. et al. Does removal of deep breathing exercises from a physiotherapy program including pre-operative education and early mobilisation after cardiac surgery alter patient outcomes? Aust J Physiother. v. 49, n. 3, p. 165-73, 2003.

BORGHI-SILVA, A. et al. The influences of positive end expiratory pressure (PEEP) associated with physiotherapy intervention in phase I cardiac rehabilitation. Clinics. v. 60, n. 6, p. 465-72, 2005.

GUIMARÃES, N. A.; PEREIRA, J. C.; OLIVEIRA, M. I. Cirurgia Torácica Minimamente Invasiva – Ressecções pulmonares Cirurgia Torácica Vídeo Assistida (CTVA). Pulmão RJ. v. 23, n. 1, p. 16-19, 2004.

KEENAN, T. D.; ABU-OMAR, Y.; TAGGART, D. P. Bypassing the pump: changing pratices in coronary artery surgery, Chest. v. 128, p. 363-69, 2005.

PINTO JUNIOR, V. et al. Situação das cirurgias cardíacas congênitas no Brasil. Rev Bras Cir Cardiovasc. v. 19, n. 2, p. III-VI, 2004.

RIBEIRO, A. L. et al. Mortality related to cardiac surgery in Brazil, 2000-2003. J Thorac Cardiovasc Surg. v. 131, n. 4, p. 907-9, 2006.

VASCONCELOS FILHO, P.; CARMONA, M. J.; AULER JUNIOR, J. Peculiaridades no pós-operatório de cirurgia cardíaca no paciente idoso. Rev. Bras. Anestesiol. v. 54, n. 5, p. 707-727, 2004.

CANVER, C. C.; CHANDA, J. Intraoperative and postoperative risk factors for respiratory failure after coronary bypass. Ann Thorac Surg. v. 75, n. 3, p. 853-7, 2003.

MOHER, D. et al. Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: the PRISMA statement. PLoS Med. v. 6, n. 7, 2009.

SCHEEREN, C.; GONÇALVES, J. Comparative evaluation of ventilatory function through pre and postoperative peak expiratory flow in patients submitted to elective upper abdominal surgery. Rev. Col. Bras. Cir. v. 43, n. 3, p. 165-170, 2016.

KIM, H. et al. Impact of GOLD groups of chronic pulmonary obstructive disease on surgical complications. Int J Chron Obstruct Pulmon Dis. v. 11, n. 1, p. 281-287, 2016.

GUNAY, S. et al. Evaluation of two different respiratory physiotherapy methods after thoracoscopy with regard to arterial blood gas, respiratory function test, number of days until discharge, cost analysis, comfort and pain control. Niger J Clin Pract. v. 19, n. 3, p. 353-8, 2016.

ANSARI, B. et al. A Randomized Controlled Trial of High-Flow Nasal Oxygen (Optiflow) as Part of an Enhanced Recovery Program After Lung Resection Surgery. Ann Thorac Surg. v. 101, n. 2, p. 459-64, 2016.

ZANGEROLAMO, T. et al. Efeitos da inspirometria de incentive a fluxo após revascularização do miocárdio. Rev Bras Cardiol. v. 26, n. 3, p. 180-5, 2013.

JOSEPH, C. et al. Is there any benefit to adding intravenous ketamine to patient-controlled epidural analgesia after thoracic surgery? A randomized double-blind study. Eur J Cardiothorac Surg. v. 42, n. 4, p. 58-65, 2012.

DIAS, C. et al. Três protocolos fisioterapêuticos: efeitos sobre os volumes pulmonares após cirurgia cardíaca. J. bras. pneumol. v. 37, n. 1, 2011.

AMAR, D. et al. A clinical prediction rule for pulmonary complications after thoracic surgery for primary lung cancer. Anesth Analg. v. 110, n. 5, p. 1343-8, 2010.

ANUNCIO, N. et al. The use of spirometry testing prior to cardiac surgery may impact the Society of Thoracic Surgeons risk prediction score: a prospective study in a cohort of patients at high risk for chronic lung disease. J Thorac Cardiovasc Surg. v. 139, n. 3, p. 686-91, 2010.

SANTOS, L. M. dos. Morfina subaracnóidea associada à anestesia geral para revascularização miocárdica: efeitos sobre a função respiratória, a analgesia, o consumo de morfina e seus níveis plasmáticos no pós-operatório. 2009. Tese (Doutorado em Ciências) - Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo.

SHARMA, M. et al. Thoracic epidural analgesia in obese patients with body mass index of more than 30 kg/m2 for off pump coronary artery bypass surgery. Ann Card Anaesth. v. 13, n. 1, p. 28-33, 2010.

SAAD, I. et al. Clinical variables of preoperative risk in thoracic surgery. Sao Paulo Med. J. v. 121, n. 3, 2003.

NIKOLIC, I. et al. Stairs climbing test with pulse oximetry as predictor of early postoperative complications in functionally impaired patients with lung cancer and elective lung surgery: prospective trial of consecutive series of patients. Croat Med J. v. 49, n. 1, p. 50-7, 2008.

BERNARD, A. et al. Evaluation of respiratory muscle strength by randomized controlled trial comparing thoracoscopy, transaxillary thoracotomy, and posterolateral thoracotomy for lung biopsy. Eur J Cardiothorac Surg. v. 29, n. 4, p. 596-600, 2006.

CHUNG, J.W.Y.; LUI, J.C.Z. Postoperative pain management: study of patients level of pain and satisfaction with health are providers responsiveness to their reports of pain. Nurs Health Sciences. v. 3, n. 10, p. 295-299, 2003.

CARVALHO, M. P. N. M; BARROZO, A. F. Mobilização precoce no paciente crítico internado em unidade de terapia intensiva. Brazilian Journaul of Surgery and Clinical Research. v.8, n.3, p. 66-71, 2014.

DAYTON, M. T. Surgical Complications. Philadelphia: Elsevier Saunders. 2004.

DUGGAN, M.; KAVANAGH, B. P. Pulmonary atelectasis: a pathogenic perioperative entity. Anesthesiology. v. 102, p. 838- 54, 2005.

TISI, G. M. Preoperative Evaluation of Pulmonary Function. Am. Rev. Respir. Dis. v. 119, p. 239-310, 1979.

SMETANA, G. W. Preoperative pulmonary evaluation. N. Eng. J. Med. v. 340, n. 12, p. 937-944, 1999.

DOYLE, R. L. Assessing and modifying the risk of postoperative pulmonary complications. Chest. v. 115, p. 77-81, 1999.

SILVA, L. C. C. et al. Controle do Tabagismo: Desafios e Conquistas. J Bras Pneumol. v. 42, n. 4, p.290-298, 2016.

DUREUIL, B.; CANTINEAU, J. P.; DESMONTS, J. M. Effects of upper or lower abdominal surgery on diaphragmatic function. Br. F. Anaesth. v. 59, p. 1230-1235, 1987.

ROCHESTER, D. F.; ESAU, S. Malnutrition and the respiratory system. Chest. v. 85, n. 3, p. 411-414, 1984.

BAIER, H., SOMANI, P. Ventilatory drive in normal man during semistarvation. Chest. v. 85, p. 222-225, 1985.

ZRAIER S, HAOUACHE H, DHONNEUR G. Which preoperative respiratory evaluation? Ann Fr Anesth Reanim. v.33, n. 7-8, p.453-456, 2014.

JOSEPH, C. et al. Is there any benefit to adding intravenous ketamine to patient-controlled epidural analgesia after thoracic surgery? A randomized double-blind study. Eur J Cardiothorac Surg. v. 42, n. 4, p. 58-65, 2012.

SULTANPURAM, S. et al. Physiotherapy Practice Patterns for Management of Patients Undergoing Thoracic Surgeries in India: A Survey. Surgery Research and Practice. v. 16, p. 11, 2016.

AGOSTINI, P. et al. Effectiveness of incentive spirometry in patients following thoracotomy and lung resection including those at high risk for developing pulmonary complications. Tórax. v. 68, n. 6, p. 580-5, 2013.

PADOVANI, C.; CAVENAGHI, O. M. Recrutamento alveolar em pacientes no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc. v. 26, n. 1, p. 116-121, 2011;

MIRANDA, R. C. V; PADULLA, S. A. T; BORTOLATTO, C. R. Fisioterapia respiratória e sua aplicabilidade no período pré-operatório de cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc. v. 26, n. 4, p. 647-52, 2011

FERREIRA, L. L; MARINO, L. H. C; CAVENAGHI, S. Fisioterapia cardiorrespiratória no paciente cardiopata. Rev Bras Clin Med. v. 10, n. 2, p. 127-31, 2012

GARCÍA, F.J.; SERRANO, P.G.; LÓPEZ, J. Preoperative assessment. Lancet. v. 362, p.1749-57, 2003.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Associado à ABEC